A Chave para os Tesouros

 FÉ — Chave para os Tesouros de Deus

 

A natureza da Fé.

Nossa alma possui uma habilidade espantosa para sentir Deus. Apesar dessa consciência da Divina presença ser fraca e obscura em uma pessoa que está começando a crescer espiritualmente, ela se torna mais forte e mais e mais consciente com um modo de vida virtuoso. Isto, por sua vez, reforça a fé Nele, de maneira que o sentimento interno de Deus cresce para uma forte convicção religiosa. Em tal estado a onipresença de Deus, Seu infinito amor e cuidados paternais são sentidos continuamente e isto se torna uma fonte interna de paz e força.

A fé não pode ser satisfeita com um frio reconhecimento da existência de Deus, mas se empenha em entrar em contato próximo com Ele. A alma crente naturalmente se vira para Deus como o girassol se vira para o sol. Por sua vez, uma relação ativa com Deus reforça ainda mais a fé da pessoa, de forma que sua fé se torna um guia espiritual, baseado na experiência pessoal. Em algumas pessoas particularmente dotadas a fé cresce para uma iluminadíssima e constantemente inspiradora idéia, que as conduz deste mundo da vaidades para o mundo transcendente da vida eterna. Entre essas pessoas estão a Virgem Maria, São João Batista, os Apóstolos Pedro e Paulo, e incontáveis santos como Sérgio de Radoneszh, Serafim de Sarov, João de Kronstadt, Herman do Alasca e a Bendita Xênia de Petersburgo para mencionar só alguns.

O significado da fé no desenvolvimento da pessoa está em que ela dá direção para todas as suas atitudes e poderes. Especificamente, ela dá clareza e correta vigilância para o seu intelecto, direção e propósito para sua vontade, ela enobrece e refina seus sentidos. A fé traz harmonia para o mundo interior da pessoa. Ela liberta a pessoa da base dos interesses mundanos e a conduz para um reino de experiências mais elevadas e sagradas.

Fé e conhecimento.

Em nosso tempo de muitas conquistas científicas tornou-se costumeiro fazer pouco da fé em comparação com o intelecto. O conhecimento é encarado como algo de base sólida, positivo e completamente objetivo. Fé, de outro lado, é considerada ser arbitrária, subjetiva e não-provada. No entanto, tanto alta confiança em conhecimento científico quanto menosprezar a fé são lamentáveis idéias errôneas.

Em primeiro lugar, olhar o presente conhecimento como absolutamente certo, provado e representando a verdade absoluta é muito ingenuidade e historicamente sem base. Talvez isto seja um "ideal" de conhecimento, mas não o seu estado. Seria interessante comparar as teorias sobre matéria ao longo da história humana — durante os tempos antigos, depois no final do século dezenove, meados do século vinte, e finalmente as últimas descobertas da mecânica quântica — para se ficar convencido de que as idéias científicas mudam radicalmente a cada nova geração. "Revoluções" similares podem ser observadas em todos os campos da ciência — na física, astronomia, biologia, medicina, etc. O que era considerado ser inquestionavelmente verdadeiro ontem é rejeitado hoje. Quando novos cientistas se tornam populares por suas descobertas, os antigos se apagam em esquecimento. Podemos certamente ponderar que se a humanidade sobreviver ainda por mais alguns séculos, nossos descendentes irão discutir ironicamente as idéias e teorias primitivas do "negro" século vinte.

Esse fato deveria nos convencer de que o maior valor não é o do conhecimento em si, mas a habilidade em cavar mais e mais fundo nos segredos da natureza. E aqui o propelente da ciência não é o conhecimento racionalista baseado nos cinco sentidos humanos, mas a visão intuitiva. Muitos filósofos e cientistas experimentaram uma súbita iluminação, que deu nascimento às suas descobertas e novas teorias. Intuição como a fé, é uma habilidade muito valiosa. Ela parece a fé, mas fica um passo abaixo dela, já que intuição se relaciona com o domínio físico enquanto fé se relaciona com o espiritual.

Ninguém negará que o conhecimento do engenheiro é valioso para assuntos práticos como projeto ou construção de alguma coisa. Mas se cientistas não existissem, os quais por sua intuição abrissem os segredos da natureza, então os engenheiros não teriam nada para estudar, e o conhecimento humano seria muito limitado. Então não é conhecimento, mas sim intuição que conduz o progresso da ciência. Consideremos outro exemplo. Muitos músicos são apreciados pelas belas performances de composições musicais. Mas se não existissem compositores dotados de gênio criativo, os músicos não teriam nada para tocar. O gênio de compositores, poetas, escultores, artistas e outros como eles, tem a habilidade de transformara idéias em coisas bonitas, sublimes e enobrecedoras. Então, para onde se olhe, nós vemos que a imaginação, visão intuitiva, inspiração e gênio criativo são todas forças espirituais que conduzem o progresso da ciência e da arte.

Comparando fé com outras habilidades humanas elevadas, nós vemos que ela, como intuição, alarga, a razão humana. Ela dá meios de acesso àquilo que é inatingível pelos sentidos corporais. Assim, graças à fé, nós chegamos à convicção de que o mundo que nos cerca não é eterno, mas veio para a existência pela vontade do Uno Sapientíssimo Criador. Ele nos criou e nos deu uma alma imortal para que pudéssemos compartilhar com Ele de vida eterna e abençoada. De fato, a fé esteve, com freqüência, à frente das descobertas científicas, por exemplo, ao afirmar que nosso mundo não é eterno, mas apareceu há algum tempo atrás do "nada" (a teoria do Big Bang), isto é, que a origem do mundo é energia e não matéria, que há uma unidade nas leis da natureza (busca moderna por uma força unificadora), que poderiam existir outros mundos diferentes do nosso (procura por inteligências extraterrestres), e assim por diante.

Graças ao contato pessoal com Deus, os crentes recebem um especial sentido de verdade, uma faculdade para perceber que a razão ainda é incapaz de compreender. Por exemplo, a futura ressurreição dos mortos, o Julgamento Final, e o inicio da vida eterna, são toda coisas além da experiência do dia-a-dia e de qualquer possível verificação, e ainda assim nós percebemos esses futuros eventos como verdades certeiras e que eles acontecerão. Assim fé, como um olho espiritual, nos dá a habilidade de percebermos o que está bem à frente no horizonte do futuro.

Porém, nem o olho mais sensitivo pode ver sem nenhuma luz. Similarmente, a fé precisa da luz da divina revelação. Deus, em Seu amor por nós, revelou através dos profetas, dos apóstolos, e especialmente através de Seu Filho Unigênito, tudo que é necessário que conheçamos para o desenvolvimento espiritual e salvação de nossas almas. Assim Deus nos revelou o mistério da Trindade e dos Divinos Atributos, o mistério da Encarnação e o poder dos sofrimentos redentores do Filho de Deus, o significado de Sua Ressurreição para nosso renascimento espiritual e ressurreição corporal no último dia deste mundo e assim por diante.

Mas ao dizermos que a habilidade em acreditar está acima do conhecimento físico, nós não pretendemos excluir a razão ou o pensamento lógico. Ao contrário, de acordo com o plano do Criador, todas as capacidades espirituais devem estar em harmonia e reforçar uma à outra. A fé genuína não pode ser cega nem luz. Credulidade mostra preguiça da alma, ingenuidade da mente. A razão deve ajudar a fé a diferenciar entre verdade e ilusão. A exploração calma de verdades religiosas torna a fé mais definida e com base. O Senhor Jesus Cristo nunca pede fé cega de Seus servidores. Ao contrário, Ele adverte os judeus: "Examinais as Escrituras, ... e são elas que de Mim testificam" (Jo. 5: 39). Ele também sugere que os descrentes examinem os Seus milagres para ficarem convencidos do Seu Divino ministério: "Mas, se as faço e não credes em Mim, crede nas obras: para que conheçais e acrediteis que o Pai está em Mim e Eu Nele."(Jo. 10: 38). Da mesma forma, os apóstolos incitaram os primeiros Cristãos a usar razão e discrição em relação a questões de fé: "Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (1Jo.4: 1). Em particular os apóstolos incitaram seus discípulos a manter a sã doutrina rejeitando fábulas e invenções humanas (II Tm. 1: 13, 4: 3).

Assim, é errôneo jogar a razão contra a fé; elas se complementam e uma reforça a outra. A razão é para buscar, provar e substanciar. Ela protege a fé contra ilusões e a humanidade contra fanatismos. A fé, do outro lado, é a força motora que abre novos horizontes, e nos eleva para novas alturas. Ela pode ser comparada a um motor, e a razão a uma roda guia. Sem o motor o carro não se moverá, mas sem a roda guia ele pode colidir.

Dependência da

Fé do Livre Arbítrio.

"Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele, e ele Comigo" (Apoc. 3: 20). Com estas palavras nosso Salvador nos conta que Ele oferece para cada um de nós o dom da fé, mas somos nós que aceitamos ou rejeitamos este dom.

O Senhor é misericordioso para com aqueles que não acreditam não por obstinação, mas por fraqueza espiritual e inexperiência. Aqueles que procuram a verdade e lamentam sua falta de fé, recebem auxílio Divino para adquirir fé. Assim, por exemplo, Cristo teve piedade do pai desesperado do jovem possuído que clamou com lágrimas: "Eu creio Senhor, ajuda minha incredulidade" (Lc. 9: 24), e curou seu filho doente. Ele, da mesma forma teve compaixão do apóstolo Pedro que, tendo se assustado com a tempestade, começou a afundar. Dando Sua mão para Pedro, o Senhor gentilmente o censurou, dizendo: "Homem de pouca fé, porque duvidaste?" (Mt. 14: 31). E o Senhor também não rejeitou Tomé que duvidava, e que queria ser convencido pessoalmente do milagre da Ressurreição. Tendo tido condescendência com Tomé, por Sua aparição, no entanto não o louvou por ter se tornado um crente na base de uma prova óbvia, mas disse para ele: "Porque Me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram" (Jo. 20: 29). Em outras palavras, fé baseada em experiência externa tem pouco valor; de fato, é não-fé, mas conhecimento comum. A verdadeira fé nasce de uma experiência interna; ela exige sensitividade, uma elevação espiritual, e, aí é digna de louvor.
No entanto, nós vemos o completamente oposto a esta fé buscadora nos escribas e fariseus judeus da época de Cristo. Eles obstinadamente e teimosamente se recusaram a acreditar em Jesus Cristo como o Messias enviado-por-Deus. Nem a realização em Cristo das antigas profecias, nem seus incontáveis milagres e ressurreição de mortos, nem sinais na natureza, nem Sua Ressurreição abalou a descrença deles. Ao contrário, com cada novo milagre, eles ficavam mais amargurados e hostis para com Ele. Então, se nem Cristo foi capaz de despertar a fé naqueles que não queriam acreditar, é de espantar que nos nossos tempos existam tantos ateístas conscientes e empedernidos? Eles alegam que não acreditam porque não vêem milagres. Mas a real razão para a descrença deles está não na falta de milagres, que ocorrem todos os dias em diferentes partes do mundo, mas na direção negativa de sua vontade. Eles simplesmente não querem que Deus exista!

O problema da descrença está intimamente ligado com a malignidade da natureza humana. Porque o assunto da fé não é uma teoria abstrata, mas um ensinamento positivo que demanda certo comportamento e impõe responsabilidades definidas, nem todo mundo está querendo mudar sua vida para adaptá-la aos altos padrões morais decorrentes da fé. A fé põe em xeque a ambição de uma pessoa. Ela chama a pessoa a superar seu egoísmo, viver moderadamente, fazer o bem para os outros, até se sacrificar. Quando um homem prefere suas paixões à vontade de Deus e, coloca seu próprio bem sobre o bem dos outros, então ele fará tudo o que puder para repudiar os argumentos em favor da fé. O Salvador indica que uma vontade maligna é a causa principal da descrença quando Ele diz: "Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz para que suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus" (Jo. 3: 20-21).

Sendo capaz de suprimir a fé dentro de si, o homem também é capaz de reforçá-la. Voltando ao Evangelho, nós nele encontramos exemplos chocantes de fé ardente. Inspirados a esse respeito são os exemplos do centurião romano, da mulher Cananéia, a mulher com fluxo de sangue, o cego de Jericó, e outros similares. O Senhor repetidamente chama Seus ouvintes para imitar a fé destas pessoas. Conseqüentemente está em nosso poder, com a ajuda de Deus, reunir e dirigir nossas capacidades espirituais para uma fé maior. Fé, como tudo que é bom, exige esforço. Essa é a razão pela qual uma recompensa é prometida para ela: "Quem crer e for batizado será salvo; mas que não crer será condenado" (Mc. 16: 16).

Bispo Alexander (Mileant)

Tradução: Rev. Pedro Oliveira Junior

continua...

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