A Chave para os Tesouros - parte 2
Fé como a
Provas e angustias são inevitáveis nesta vida temporária. Em momentos difíceis somente a fé pode dar a alguém a necessária força espiritual. Quando uma pessoa com fé fraca desespera durante infortúnios, se sente derrotada e lamenta amargamente, a pessoa com fé se vira para Deus mais firmemente a procura de ajuda. Ela dispersa a onda de desânimo com esperança em Deus, tendo apreendido de provas anteriores que "... todo aquele que crer Nele não será confundido" (Rom. 9:33).
Angustias são os "dias cinzentos" e "tempestades" em nossa vida e são postas para testar a nossa fé. Durante tempo bom todo marinheiro pode fantasiar sobre suas habilidades, mas é durante uma tempestade que o marinheiro genuíno é revelado. Lendo as Santas Escrituras ou vidas de santos, se fica convencido que as pessoas justas mostraram a sua fé mais obviamente durante perseguições e sofrimentos, do que durante condições calmas e normais. Quando o Apóstolo Paulo se refere aos justos do Velho Testamento, ele especificamente menciona seus momentos difíceis como exemplos de fé forte. Ele assim conclui sua observação das vidas deles: alguns deles "uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnio e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra... — conclui o Apóstolo: "Portanto nós também, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta: olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o Qual pelo gozo que Lhe estava proposto suportou a Cruz, desprezando a afronta e assentou-se à destra do trono de Deus" (Hb. capítulos 11 e 12).
Apesar da fé ajudar um homem a enfrentar o sofrimento com ânimo, a questão permanece: porque o Senhor permite que os justos sofram? A resposta não é nada óbvia; "Quem guiou o Espírito do Senhor? E que conselheiro O ensinou? (Isaias 40:13). Não obstante, o Apóstolo Paulo explica que "... todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus" (Rom. 8: 28). A palavra "todas" inclui angustia também. De fato, tendo ele próprio experimentado inúmeras provas durante suas jornadas missionárias, São Paulo partilha com seus discípulos o que ele apreendeu: "Pelo que sinto prazer nas fraquezas,nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte; porque o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza" (II Co. 12:10 e 9).
Angustias convencem o homem da instabilidade das bênçãos da vida, lembram a ele de Deus o Resgatador, da vida eterna, e ensinam a ele paciência. Elas desenvolvem fortalecimento espiritual e constância em boas obras. Quando o homem não pode esperar ajuda de lugar nenhum, ele se vira para Deus com toda a sua força. E enquanto ele está perturbado pelo exterior, em seu coração ele encontra paz Divina e consolação. Esta conscientização direta de Deus é grandemente benéfica para a fé do homem. Assim, de um lado, a fé ajuda o homem a suportar suas angustias, e, de outro lado a angustia reforça a fé nele. Por esta razão São Tiago ensinou aos Cristãos: "Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações. Sabendo que a prova de vossa fé obra a paciência" (Tg. 1:2-3).
Provavelmente porque a fé dá ao homem ânimo em tempos difíceis e serve como uma fortaleza para sua vida espiritual, nosso Senhor a denominou de pedra, dizendo: "... e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt. 16:18). Na verdade é impossível enumerar todas as perseguições de Cristãos nos dois milênios de existência da Igreja. Enquanto tantos impérios e governos poderosos caíram e desapareceram completamente da face da Terra, a Igreja de Cristo, baseada na fé Nele, está firme e permanecerá invencível até o final do mundo.
Fé como a chave para
os tesouros de Deus.
A fé põe uma pessoa numa comunicação viva com Deus em oração genuína e concentrada. Quando uma pessoa entra em contacto íntimo com o Todo Poderoso, então, de acordo com as palavras do Salvador, tudo se torna possível para ela: "E tudo que pedirdes na oração, crendo, o recebereis... se tiverdes fé como um grão de mostarda (pequena como), direis a este monte: Passa daqui para acolá —e há de passar; e nada vos será impossível" (Mt. 21: 22 e 17:20). Assim, mesmo a menor fé pode fazer maravilhas desde que ela seja sadia e sã como um grão de mostarda. O grande milagroso São João de Kronstadt, falando de sua própria experiência, chamou a fé de "a chave para os tesouros de Deus."
A fé verdadeira não tem nada a ver com auto-confiança. Profundamente errados estão aqueles que confundem fé com auto-sugestão comum. Alguns pregadores sectários ensinam que se deve se auto convencer do que se deseja, por exemplo: saúde, sucesso ou bem-estar — e isto é suficiente para obter a coisa desejada. Esta auto-sugestão se parece com uma brincadeira na qual uma criança imagina que está velejando no mar ou andando a cavalo, enquanto está sentada no chão de seu quarto. Fé construída sobre auto-sugestão conduz a auto-ilusão e a uma catástrofe espiritual.
A fé verdadeira age não pelo poder da imaginação ou auto-hipnose, mas porque junta uma pessoa à Fonte definitiva de toda vida e força — ao Deus Todo Poderoso. A fé é como um vaso com o qual se recolhe da Divina fonte, e a oração como o braço com o qual se alcança essa fonte. É importante se recorrer com prudência ao poder da fé. Porque só Deus sabe o que é bom para nós, e em oração não se deve pressionar por desejos próprios, mas estar mais concentrado em compreender qual é a vontade de Deus. Finalmente, a oração não deve ser um monólogo, mas uma conversa de dois sentidos. E em toda conversa se deve apreender a ouvir também. Quando nós oramos sinceramente para Deus. Ele nos responde em nossos corações e em posteriores circunstância externas.
Voltando-nos para os relatos do Evangelho, nós verificamos que aquelas pessoas que possuíram uma fé excepcionalmente forte como, por exemplo, o centurião romano, a mulher Cananéia, os amigos do paralítico e outros, estiveram muito longe de qualquer altivez ou pathos. Na verdade, todas elas foram pessoas extremamente humildes (Mt. 8:10, 15:22, 9:2). A combinação de fé forte e humildade não é acidental. Uma pessoa profundamente crente sente, mais do que qualquer outra, a grandeza do poderio de Deus. E quanto mais ela constata isto, mais agudamente ela se torna ciente de suas limitações e deficiências. Os grande realizadores de milagres como, por exemplo, os profetas Moises e Eliseu, os apóstolos Pedro e Paulo, e outros como eles foram sempre destacados por profunda humildade.
Existe uma relação entre fé e boas obras? Alguns perguntam: a fé sozinha é suficiente para a salvação, ou boas obras também são necessárias? O fato de que muitos Cristãos contemporâneos opõem fé e boas obras, mostra quão empobrecido e distorcido se tornou o seu conceito de Cristianismo. A fé verdadeira se estende não só sobre a mente do homem, mas sobre todos os poderes de sua alma, incluindo o coração e vontade. Muitos pregadores contemporâneos estreitaram o conceito de fé para uma aceitação racional dos ensinamentos do Evangelho. Eles declaram: "Somente acreditai, e vós sereis salvos." O erro aqui, assim como com a visão farisaica, consistem no entendimento legalístico e formal de salvação. Os judeus do tempo de Cristo ensinavam justificação pela realização dos preceitos da Lei Mosaica, enquanto os protestantes, desde o tempo de Lutero, ensinam justificação pela fé somente, independente de boas obras. O Cristianismo tradicional, no entanto, pede por um completo renascimento espiritual: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é" (II Co. 5: 17). A salvação não é somente a recolocação da terra no paraíso, mas o estado cheio de graça da alma renovada do homem. De acordo com nosso Senhor: "... eis que o Reino de Deus está entre vós" (Lc. 17: 21). Nesse estado renovado uma harmonia completa é estabelecida entre as convicções internas e o comportamento externo. Aqui boas obras se tornam frutos que são naturalmente dados por uma árvore sadia. E, ao contrário, falta de boas obras testemunham sobre uma alma doente e moribunda.
Porém, o renascimento espiritual não é atingido instantaneamente. As palavras de Cristo para aqueles que creram: "Tua fé te salvou" (Mt. 9: 22) se referem aquele ponto-de-virada crucial alcançado por aqueles que decidiram romper com o passado e seguir Jesus Cristo. Sem essa mudança radical no pensamento, qualquer melhoria e progresso espiritual é impossível. Naturalmente, depois que a pessoa escolheu o justo caminho, ela deve subseqüentemente andar nele, isto é, aplicar seus elevados princípios com paciência e perseverança. Todos os livros do Novo Testamento falam em se trabalhar em si próprio e se tornar mais parecido com Cristo: "De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo da morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida" (Mt. 6:4). O que é necessário aqui não é a fé abstrata, mas aquela que age através do amor (Gl. 5:6).
O Apóstolo Tiago firmemente se levanta contra aqueles que separam fé das boas obras, dizendo: "Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? ... Mas dirá alguém: tu tens a fé e eu tenho as obras: mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um só Deus: fazes bem: também os demônios o crêem, e estremecem!" Mais adiante, o apóstolo dá exemplos de homens e mulheres justos do passado que provaram sua fé pelas suas obras, e tira a seguinte conclusão: "Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. ... Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tg. 2:14-26).
O Apóstolo Paulo, da mesma forma, não reconhece fé sem seus frutos: "E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria" (I Co. 13: 2). Por isso, o correto entendimento da fé desconsidera qualquer dúvida sobre qual é mais importante — fé ou obras. Elas são inseparáveis, como a luz e o calor de uma chama.
Tradução: Rev. Pedro Oliveira Junior
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