O Culto Luterano Explicado
Liturgia Luterana Explicada
Autor anónimo
Introdução
A Liturgia ou Ordem de Culto, não somente faz parte do culto, mas é a própria disposição de todas as partes que formam aquilo que chamamos de Culto Público. Esta é usada a fim de que tudo seja feito “com ordem e decência”, conforme a recomendação do apóstolo Paulo.
Por que estudar a Liturgia? – Porque, em uma igreja litúrgica como a nossa, usam-se muitos termos técnicos, que nem sempre são devidamente entendidos. Por que ainda fazemos uso de uma liturgia que tem séculos de existência? Qual o sentido de cada uma das partes?
Todas estas questões procuraremos responder ao longo deste estudo sobre a Liturgia Luterana.
1. O que é Culto
“Dedicar e consagrar a vida ao Senhor nesta casa para que o Bom Mestre nos fale neste lugar, por meio de sua Santa Palavra, e que nós por nossa vez, lhe falemos através da oração e do louvor.”(Martinho Lutero)
A liturgia é, portanto, um entrelaçado entre Palavra de Deus e reposta da Congregação, proclamação e adoração.
A parte sacrificial é voltada para o altar.
A parte sacramental é voltada para a congregação.
Cristo nos fala, nós respondemos. Cristo nos serve, nós servimos a Ele.
2. O Início do Culto
Num sentido geral, culto envolve toda a nossa vida, mas no sentido do culto público, este inicia com a invocação. Em termos antigos iniciava de fato com o “Intróito”. A introdução, a invocação, a confissão e a absolvição seriam preparação para o culto propriamente dito.
3. Hino de Invocação
Tem por finalidade invocar a presença de Deus no momento do culto. Deveria, portanto, ter um pedido pela presença do Deus Triúno no culto.
O que normalmente acontece é que são usados no início do culto hinos que expressam: louvor e gratidão pelas bênçãos e proteção recebidas durante a semana que passou; a alegria de estar na casa de Deus para adorá-lo bem como o desejo de ouvir a sua palavra para o fortalecimento da fé e santificação da vida; o tema ou assunto do dia, etc. Nesses casos, o mais indicado seria chamar este hino de “hino inicial” ou de abertura, uma vez que, na maioria dos casos, não é usado propriamente um hino de invocação.
4. Invocação
4.1. Informações Históricas sobre o seu uso A Invocação “Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, não se encontra nas liturgias antigas, nem na liturgia da Igreja Ortodoxa Grega. Era originalmente feita pelo sacerdote na sacristia, enquanto preparava-se para a missa. Ela fazia parte do rito preparatório para a missa que incluía também a Confissão e Absolvição dos pecados. O sacerdote realizava este rito preparatório por ele e pela comunidade. Esta prática foi bem aceita pelos reformadores que a realizavam com a participação da congregação.
4.2. Conteúdo Doutrinário da Invocação
No ato litúrgico da Invocação estamos rogando pela presença do nosso Deus Triúno, em cujo nome nos reunimos para o culto. Não se trata de um mero convite pela sua presença, mas, neste ato, demonstramos que sabemos quem é nosso Deus, que não se trata de uma divindade desconhecida, misteriosa, da qual temos apenas uma vaga noção. O nosso Deus se revelou a nós pelo seu nome triplo “Pai, Filho e Espírito Santo”.
Começamos desta forma o nosso louvor a Deus com um ato que é uma confissão de nossa fé, tendo consciência da presença de Deus e rogando a sua bênção e assistência sobre o ato de adoração que se seguirá.
5. Exortação ou Alocução Confessional
A Alocução Confessional tem suas origens no Pietismo. Ela estava vinculada a celebração da Santa Ceia. Nela não se fala diretamente sobre a Santa Ceia, mas especialmente da necessidade do verdadeiro arrependimento, visando estar “dignamente preparado” para participar dela.
A Santa Ceia foi colocada numa posição de alta sacralidade. O medo de participar indignamente se impôs nesse tempo. Não se enfatizavam as bênçãos advinhas do participar da Ceia, mas o fato de estar bem preparado para não participar dela indignamente, tornado-se réu do corpo e sangue do Senhor.
Na Alocução Confessional se falava da terrível situação do homem pecador perdido e condenado e de sua necessidade de arrependimento para receber o perdão de Deus.
5.1. A Alocução Confessional para nós hoje
A ênfase que nós devemos dar hoje à Alocução Confessional é a que Lutero escreve no seu Catecismo Menor: “Jejuar e preparar-se corporalmente é boa disciplina externa, mas verdadeiramente bem preparado é aquele que crê nestas palavras: dado e derramado por vós para a remissão dos pecados”. Decorre desta compreensão que hoje continuamos a enfatizar a necessidade do arrependimento verdadeiro do cristão, mas procura-se mostrar enfaticamente as bênçãos decorrentes do participar da Ceia do Senhor, de tal forma que o motivemos a uma maior e mais alegre participação na Santa Ceia.
6. Confissão e Absolvição
6.1. Informações Históricas
É um ato preparatório ao culto propriamente dito. A Confissão se desenvolveu das orações originalmente proferidas pelo ministro na sacristia, quando ele colocava as suas vestimentas. Posteriormente foram incluídas na Liturgia.
Os escritos da Igreja Primitiva sobre a Santa Ceia nada relatam sobre um rito de confissão. A Igreja Primitiva considerava-se a si própria como “Povo Santo”. Não tinham claramente definida a idéia de pecado dos tempos Medieval e Moderno. A ênfase estava na Confissão Privada, antes de receber o sacramento.
Aproximadamente no Século XI os assim chamados “apologistas” elaboraram orações, as Quais eram lidas pelo sacerdote ao pé do altar, como parte preparatória para o culto. Elas eram ditas com ou pela congregação.
Os reformadores apreciaram o valor espiritual da Confissão preparatória. Eles extinguiras as impurezas doutrinárias. As congregações da Reforma, seguindo o princípio do “sacerdócio real de todos os crentes” começaram a usar a Confissão preparatória com participação da comunidade, sendo liderada pelo seu pastor. Os versos podiam ser cantados.
6.2. Significado da Confissão e Absolvição
A Confissão dos Pecados é uma preparação para o culto de louvor a Deus. A comunhão e comunicação com Deus exige corações arrependidos e perdoados de seus pecados. É por essa razão um ofício preparatório de purificação espiritual. Na Confissão somos purificados para entrar no culto propriamente dito, que começa com o Intróito.
A Absolvição vem após a Confissão e pedido de perdão. Ao pastor cabe anunciar o perdão dos pecados para a congregação fundamentado na autoridade que lhe é outorgada por Cristo. Nesse momento o pastor exerce ......... sacerdotal, na qual declara o perdão pleno de todos os pecados a todos os que estão verdadeiramente arrependidos.
Confissão e Absolvição é como “limpar os pés antes de entrar em casa”. Nessa parte, a igreja aplica o Ofício das Chaves. As partes responsivas mostram a nossa certeza da Absolvição.
6.3. É correta a Confissão e Absolvição Particular?
A Confissão e Absolvição Particular era praticada pelas congregações cristãs primitivas e por muito tempo foi praticada na igreja cristã. O catolicismo romano até hoje não aboliu a Confissão e Absolvição Particular. A Reforma também não a rejeitou. O luteranismo condenou a Confissão Particular obrigatória, mas sempre a incentivou àquelas pessoas que sentiam grandes angústias e intranqüilidade em seus corações por causa de seus pecados. Nessa oportunidade o pastor pode orientar a pessoa aflita na luta contra o pecado que a aflige e lhe pode assegurar de um modo mais íntimo e pessoal o perdão pleno dos pecados pelo sangue de Jesus.
7. Intróito
O Intróito marca o verdadeiro início do culto. Ele imprime a nota chave do dia ou estação. A palavra Introitus vem do latim e significa entrada ou começo. É também a primeira parte variável do culto. Trata-se de um ou vários versículos dos Salmos, apropriados para o dia, chamando a congregação a unir-se em torno do pensamento central desse culto. O uso desta parte no culto é uma característica da Igreja Ocidental. Os ritos Orientais não têm intróitos, coletas, graduais ou material variável similar.
Na Igreja Primitiva o culto começava com uma litania. Depois que as perseguições terminaram e a igreja foi reconhecida, tornou-se possível insistir nos detalhes do culto público com dignidade. Originalmente o Intróito era um Salmo de entrada, cantado em forma de antífona, por um coro duplo, no momento em que o oficiante vinha da sacristia para o altar. Isso tinha como intenção adicionar solenidade à entrada do clérico e estabelecer o pensamento central e particular do culto. Depois um versículo era escolhido e cantado, tanto antes como depois (Antífona). Gregório, o Grande, por volta de 600 A.D., abreviou o Salmo e estabeleceu a forma que hoje se encontra em nossa liturgia.
Os textos do Intróito na liturgia luterana, são tirados dos Salmos, de Isaías e alguns do Novo Testamento. Os antigos nomes dos domingos do Ano Eclesiástico, como Invocavit, Cantate, etc, não são nada mais do que a primeira palavra latina desses intróitos.
O Intróito é um elemento muito importante e significativo, que não deveria ficar fora de qualquer liturgia; seu significado, muitas vezes, não é compreendido, visto que ele é algo como um fragmento de um uso mais antigo. Uma reconstrução histórica de usa estrutura e uso primitivo deveria ajudar-nos a compreender melhor sua função e valor em nossos cultos hoje.
O Intróito também anunciava o tema do Domingo. Na Série Trienal de perícopes, o Salmo do Domingo exerce esta mesma função. Assim sendo, é costume ler o Salmo como Intróito. A leitura pode ser tanto responsiva como uníssona. O Gloria Patri, não é outra coisa senão a conclusão do Intróito. Com sua ênfase trinitária, este antigo texto litúrgico distingue o uso cristão dos Salmos do Antigo Testamento, razão porque é falado ou cantado ao final de toda e qualquer leitura dos Salmos.
Temos os Intróitos inteiramente tirados dos Salmos; estes são chamados de regulares. Os de outra parte da Bíblia são os irregulares. Há no mínimo 28 Intróitos irregulares na liturgia tradicional; destes, dez têm passagens de Isaías, e doze do Novo Testamento.
Lutero reteve o Intróito no culto, mas expressou sua preferência pelo costume da Igreja Primitiva de usar o Salmo inteiro. Somente duas ordens de culto luteranas seguiram seu costume. A grande maioria reteve as séries históricas gregorianas sempre que havia coros competentes para cantar textos latinos. Com os cultos no vernáculo, as dificuldades de tradução de textos e adaptação da música levaram a escolher intróitos simples para cada período. Isso reduziu as séries históricas dos intróitos a um número menor de textos selecionados.
O Intróito é um coral elementar no culto e poder ser cantado pelo coro, o qual pode ser comparado à voz da igreja universal, especialmente da igreja do Antigo Testamento. Algumas das ordens revelam as dificuldades encontradas ao introduzir Intróitos em cultos no vernáculo. Brondenburg orientou o pastor a ler o Intróito quando não houver cantores para isso. Na restauração da liturgia luterana, no Século XIX, Schoeberlein opôs-se à tentativa de reintroduzir as séries completas. O “Cantionale” de Mecklenun (1868) reteve somente nove Intróitos para o ano inteiro. O Commun Service (1888) restaurou as séries inteiras, corrigindo algumas poucas variações dos textos históricos, as quais o Livro da Igreja, tinha feito, segundo Loehe. Também foram juntados Intróitos especiais para cultos especiais e dias festivos.
Quando o Intróito é lido, o ministro o faz voltado para o altar, posição que representa o antigo ponto de vista do Intróito, como Salmo de Entrada, portanto devocional por excelência. Quando o Intróito é cantado, o ministro vai do “coro” da igreja ao altar e, como um da congregação, vira-se para o altar.
Os Intróitos podem ser cantados no tom dos Salmos, de maneira simples como antigamente. Podem também ser cantados de forma elaborada, Em todo o caso, o caráter objetivo e declamatório deve ser relembrado e a atenção deve focalizar uma anunciação clara e poderosa das palavras.
A Antífona do Intróito pode ser cantada por um voz de solo. O coro todo canta o verso do Salmo e o Gloria Patri; especialmente em dias festivos, a Antífona poder ser repetida após o Gloria Patri por todo o coro.
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