DO MESMO CASSIANO - SOBRE O DISCERNIMENTO
DO MESMO CASSIANO AO HIGOUMENO LEÔNCIO DISCURSO CHEIO DE BENEFÍCIO ESPIRITUAL SOBRE OS PADRES DE SCETA E O DISCERNIMENTO
[Pref.] Decidi cumprir agora com a promessa feita ao bem-aventurado bispo Castor a respeito da vida dos santos Padres e de seus ensinamentos, que já quitei parcialmente quando lhe escrevi e enviei, ó santo Leôncio, alguma coisa quanto à forma de vida cenobítica e os oito principais pensamentos viciosos. Tendo notícia de que este bem-aventurado pontífice nos deixou para ir-se a Cristo, pensei em endereçar-lhe, a você que herdou sua virtude e os cuidados de seu mosteiro, o restante de meu relato.
[1,1] Nós nos dirigimos ao deserto de Sceta aonde se encontravam os Padres mais renomados, eu e o santo abade Germano, a quem me ligava um amizade vinda desde a escola, a milícia e a vida monástica. Lá encontramos o abade Moisés, homem santo, que se distinguia não apenas pelas virtudes ascéticas, mas também pela contemplação, Nós lhe pedimos com lágrimas um sermão edificante por meio do qual pudéssemos atingir a perfeição. Depois de muitas preces, ele disse:
[1,2] “Meus filhos, todas as virtudes e ocupações têm um só objetivo: aqueles que mantêm os olhos fixos neste objetivo, em tudo conformando-se a ele, obterão o fim desejado. O trabalhador, por exemplo, suportando tanto o calor do sol como o frio do inverno, trabalha a terra com zelo; ele quer desembaraçar a terra dos espinheiros e das ervas daninhas, mas o fim que ele persegue é a colheita dos frutos. Da mesma forma, aquele que se dedica ao comércio, enfrentando os perigos marítimos e terrestres, dedica-se com ardor aos seus negócios, tendo em vista o ganho que obterá; o fim, para ele, será usufruir deste ganho. E também o soldado não teme nem os perigos do combate nem as misérias do exílio, tendo por objetivo subir na carreira impulsionado por sua coragem; seu fim são as honras que receberá.”
Também nossa profissão tem seu objetivo e seu fim específico, pelo qual nós suportamos voluntariamente todos os trabalhos e fadigas. É por isso que a fome dos jejuns não nos cansa; a fadiga das vigílias se torna um prazer; a leitura e a meditação das Escrituras são feitas de bom coração. As penas do trabalho, a obediência, a privação de todas as coisas terrestres e a vida neste deserto são facilmente assumidas. Vocês mesmos, desprezaram pátria, família e todos os prazeres do mundo para partir para longe e vir até nós que não passamos de rústicos e ignorantes. Digam-me: qual é o seu objetivo? Que fim vocês perseguem ao fazer isto?
[1,3] Nós lhe respondemos: “Pelo reino dos céus”.
[1,4] Então o abade Moisés falou: “Muito bem, vocês me indicaram o fim. Mas o objetivo que devemos ter em vista, sem nos afastarmos da via reta, para obter o reino dos céus, isto vocês não disseram”. Depois que confessamos nossa ignorância, o ancião retomou a palavra:
“O fim da nossa profissão é, realmente, como vocês disseram, o reino de Deus; mas o objetivo, é a pureza do coração, sem a qual é impossível alcançar este fim. Então, que nosso intelecto esteja sempre orientado para este objetivo. Mesmo que aconteça às vezes do coração se afastar da via direita, é preciso reconduzi-lo imediatamente, nos orientando para este objetivo por meio de uma regra.”
[1,5] Sabedor disto, o bem-aventurado apóstolo Paulo disse: “esquecendo-me do que fica para trás avanço para o que está na frente. Lanço-me em direção à meta, em vista do prêmio do alto, que Deus nos chama a receber em Jesus Cristo[80]”. É em vista deste objetivo que devemos, também nós, tudo fazer. É em vista deste objetivo que desdenhamos tudo, pátria, família, riquezas e o mundo inteiro, a fim de adquirir a pureza do coração. E, se esquecermos este objetivo, é inevitável que, caminhando nas trevas e deixando a via reta, façamos inúmeras voltas e desvios.
[1,6] É o que aconteceu a muitos que, no começo de sua renúncia, desprezaram a riqueza, os bens e o mundo inteiro, mas se deixavam tomar de cólera e furor por uma foice, uma agulha, uma pena ou um livro. Eles não precisariam passar por isso, se se lembrassem do objetivo pelo qual desprezaram aquelas coisas. É de fato por amor ao próximo que desprezamos a riqueza, para não entrar em querelas a respeito e perdermos a caridade dando lugar à cólera. Então, se por bagatelas manifestamos irritação contra um irmão, afastamo-nos do objetivo e não tiramos nenhum benefício de nossa renúncia. É por isso que o Apóstolo dizia: “Mesmo que eu atire meu corpo ao fogo, se não for pelo amor, isto de nada servirá[81]”. Aprendemos assim que não se atinge a perfeição de uma só vez pelo despojamento e pela renúncia às coisas, mas pelo crescimento do amor, cujas características o Apóstolo descreve: “O amor, diz ele, não tem inveja, não se enche de orgulho, não se irrita, não denigre, não faz nada que seja frívolo, jamais pensa o mal[82]”. Tudo isto assegura a pureza do coração.
[1,7] É por ela que tudo deve ser feito: desprezar os bens terrestres, sofrer com facilidade os jejuns, dedicar-se à leitura e à salmódia. Não quer dizer que a negligenciemos, se, por qualquer necessidade ou por algum assunto de Deus, sejamos impedidos de fazer o jejum e a leitura habitual. Porque menos se ganha com o jejum do que se perde com a cólera, e o benefício de uma leitura não iguala o dano produzido se desprezarmos ou contristarmos nossos irmãos. Com efeito, como eu disse, nem os jejuns, nem as vigílias, nem a meditação das Escrituras, nem o despojamento das riquezas, nem a renúncia ao mundo constituem a perfeição, mas instrumentos da perfeição. E como a perfeição não se encontra nestas práticas, mas vem por meio delas, é em vão que glorificamos o jejum, a vigília, a pobreza e a leitura das Escrituras se não observamos o amor a Deus e ao próximo. Pois quem tem amor tem Deus em si, e seu intelecto estará sempre com Deus.
[1,12] Diante dessas palavras, Germano disse: “Que homem, ligado a esta carne, pode ter o intelecto sempre em Deus, sem jamais pensar em outra coisa? Não existem doentes a visitar? Hóspedes a receber? E o trabalho manual e as outras necessidades que são indispensáveis e que o corpo exige? Finalmente, como pode a razão do homem ver sempre a este Deus invisível e incompreensível e nunca se afastar dele?”
[1,13] Moisés respondeu: “Ver sempre a Deus e jamais afastar-se dele, da maneira como você diz, sim, isto é impossível ao homem revestido de carne e ligado à fragilidade. Mas de uma outra maneira, é possível ver a Deus.”
[1,15] Com efeito, a contemplação de Deus pode ser entendida e encarada de muitas maneiras. Pois Deus não pode ser conhecido apenas em sua essência bem-aventurada e incompreensível, o que está reservado aos santos do século futuro, mas ele pode ser conhecido também a partir da grandeza e da beleza de suas criaturas, de seu governo e de sua providência que se exercem a cada dia, de sua justiça e de suas maravilhas que ele revela aos santos de geração em geração. Quando pensamos na imensidão de seu poder e na continuidade de seu olhar ao qual não podem se esconder os segredos do coração nem nenhum outro, como o coração cheio de temor, nós o admiramos e adoramos. Quando imaginamos que ele conhece o número de gotas de água e de grãos de areia do mar[83], e dos astros no céu, ficamos estupefatos diante da grandeza de sua natureza e de sua sabedoria. Quando refletimos em sua sabedoria inefável e indescritível, na bondade e na paciência incansável com que ele suporta as faltas sem número dos pecadores, nós lhe rendemos graças. Quando pensamos no grande amor que ele nos demonstra, sem nenhum mérito de nossa parte, ao se fazer homem, ele que era Deus, para nos salvar de nossa perdição, somos levados a aspirar por ele. Quando consideramos que após termos vencido em nós nosso adversário o diabo, como prêmio pelo simples assentimento de nossa boa vontade, ele nos gratifica com a vida eterna, nós nos prosternamos diante dele. E existem ainda inumeráveis considerações que nascem em nós na medida de nossa conduta e conforme o grau de nossa pureza, pelas quais Deus pode ser visto e conhecido.
[1,16] Então Germano colocou uma nova questão: “Como é possível que frequentemente, contra nossa vontade, muitas idéias e maus pensamentos nos assaltem e nos enganem quase sem que percebamos, introduzindo-se em nós discreta e furtivamente, de tal sorte que é muito difícil, não apenas impedir a sua entrada, mas até reconhecê-los? Também queremos saber se é possível que nosso pensamento seja completamente libertado e não se perturbe mais?”
[1,17] “É impossível, respondeu Moisés, que o pensamento não seja perturbado por tais idéias, mas é permitido a qualquer um acolhê-los e deter-se neles ou rejeitá-los. Pois sua chegada não depende de nós, mas está em noso poder afastá-los, e a retificação de nosso pensamento dependem de nosa vontade e de nosso zelo. Se meditarmos atenta e continuamente na lei de Deus, se nos dedicarmos ao canto dos salmos e dos hinos, se não cessarmos de praticar os jejuns e as vigílias, se nos lembrarmos constantemente do reino dos céus, da geena de fogo e de todas as obras de Deus, os maus pensamentos cederão e não encontrarão lugar em nós. Mas se, ao contrário, nos dedicamos às coisas do mundo e às coisas carnais, se nos dedicamos a propósitos frívolos e inúteis, os baixos pensamentos se multiplicarão em nós.”
[1,18] Assim como um moinho de água não pode ser detido, mas está no poder do moleiro moer trigo ou cevada, também nosso pensamento, sendo móvel, não pode permanecer vazio de i déias, mas cabe a nós fornecer-lhe uma meditação espiritual ou uma ocupação carnal.
[1,23] O ancião, vendo-nos cheios de admiração e animados por um insaciável ardor por suas palavras, calou-se por um instante, depois retomou:
“Como sua sede me fez prolongar este discurso e mesmo assim vocês permanecem ávidos da doutrina da perfeição, eu vou lhes falar da excelência da virtude do discernimento que, dentre todas, é a cidadela e a rainha. E eu lhes mostrarei sua preeminência, sua grandeza e sua utilidade não apenas por palavras, mas pelos antigos oráculos dos Padres, com a graça do Senhor que inspira aqueles que falam segundo o mérito e o desejo dos que escutam.”
[2,1] De fato, a virtude do discernimento não é pequena, ao contrário, ela é contada entre os mais nobres carismas do Espírito Santo, do qual diz o Apóstolo: “A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a um terceiro, a fé, no mesmo Espírito; a outro, o carisma das curas; a um quinto, o discernimento dos espíritos.[84]” Logo, após terminar a lista dos carismas, ele acrescenta: “Tudo isto é produzido por um só e mesmo Espírito[85]”.
Como vocês vêem, o dom do discernimento não é nem terrestre nem pequeno, mas um grande presente da graça divina. Se o monge não puser todos os seus esforços e seu zelo em obter e adquirir o discernimento seguro dos espíritos que lhe sobrevêm, segue-se forçosamente que, como alguém perdido na noite, não apenas ele cairá nos horríveis precipícios, mas estrebuchará até nos caminhos retos e planos.
[2,2] Isto me lembra quando, nos meus anos de juventude. Eu me encontrava na região de Tebaida, aonde vivia o bem-aventurado Antônio. Alguns anciãos, reunidos com ele, se perguntavam sobre qual seria a virtude mais perfeita, qual dentre todas poderia melhor proteger o monge ao abrigo das armadilhas e das ilusões do diabo. Cada qual emitia sua opinião, segundo a concepção de seu pensamento. Uns diziam ser o jejum e a vigília, pois, pela sua observação, o pensamento, tornado mais leve e puro, pode se aproximar de Deus mais facilmente. Outros pensavam ser o despojamento e o desprezo por todas as coisas pessoais, na medida em que o pensamento, liberado dos múltiplos laços das preocupações do mundo, pode se aproximar de Deus com mais comodidade. Outros ainda julgavam ser a virtude da esmola, porque o Senhor disse no Evangelho: “Venham, benditos de meu Pai, entrem na posse do reino que lhes foi reservado desde a origem do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer[86]”, etc.
É assim que cada um dava sua opinião sobre as diferentes virtudes pelas quais o homem poderia se aproximar cada vez mais de Deus, e a maior parte da noite passou-se nesta pesquisa. O último de todos, o bem-aventurado Antônio, tomou a palavra: “Todas essas práticas de que vocês falaram são certamente necessárias e úteis aos que buscam a Deus e aspiram alcançá-lo. Mas não me parece que devamos dar o primeiro prêmio a essas virtudes, pois todos conhecemos muitos que se extenuaram em jejuns e vigílias, que se retiraram para o deserto, que levaram o despojamento ao ponto de não reservarem sequer o alimento cotidiano, que praticaram a esmola até distribuir tudo o que tinham e, depois disso tudo, caíram miseravelmente da virtude e escorregaram para o mal. O que os fez se desviarem da via reta? Não foi outra coisa, segundo meu sentimento e minha opinião, do que a falta de discernimento. Pois é o discernimento que ensina o homem a caminhar sobre a via real mantendo-se à distância de dois excessos: ele impede de se perder à direita por uma temperança exagerada e de se deixar levar à esquerda pela negligência e o relaxamento.”
O discernimento é, com efeito, como que o olho e a lâmpada da alma, segundo estas palavras do Evangelho: “A lâmpada do corpo é o olho. Se seu olho for puro, todo seu corpo será luminoso; mas se seu olho é tenebroso, todo seu corpo será tenebroso[87]”. O discernimento examina todas as idéias e ações do homem, rejeita e dispensa o que é mau e o que desagrada a Deus, protegendo-nos assim da perdição.
[2,3] Podemos também aprender essas coisas pelos relatos das santas Escrituras. Pois Saul, o primeiro a receber a realeza em Israel, não possuía o olhar do discernimento, e por isso seu pensamento estava obscurecido e não conseguia discernir se era mais agradável a Deus oferecer um sacrifício ou obedecer ao mandamento do profeta Samuel. Quando ele pensava estar honrando a Deus, na verdade ofendeu-o e perdeu a realeza[88].
É também o discernimento que o Apóstolo chama de “sol” quando diz: “Que o sol não se ponha sobre a sua cólera”. Podemos vê-lo também como o leme de nossas vidas, segundo o que está escrito: “Aqueles que não têm direção caem como as folhas[89]”. A Escritura também o designa como prudência, sem a qual nos é proibido fazer seja lá o que for, até mesmo beber o vinho espiritual que alegra o coração do homem[90], conforme as palavras: “Beba o vinho com prudência[91]”. E também é dito: “Uma cidadela com as muralhas derrubadas e sem defesa, assim é o homem que faz qualquer coisa sem prudência.[92]” No discernimento cresce a sabedoria, o intelecto e o juízo, sem os quais não podemos construir nossa moradia interior nem juntar as riquezas espirituais, conforme as palavras: “É pela sabedoria que uma casa se ergue e pelo intelecto que ela se torna firme, pelo juízo que seus cofres se enchem de riquezas.[93]” Ela é o alimento sólido dos homens feitos, cujo senso é exercitado pelo hábito de discernir o bem do mal[94]. Todos esses textos mostram claramente que, sem o carisma do discernimento, uma virtude não consegue se estabelecer nem permanecer firme até o fim, pois é o discernimento que engendra e protege todas as virtudes.
[2,5] Todos os Padres concordaram com esta opinião e este julgamento de Antônio. E podemos confirmar a sentença de santo Antônio por exemplos recentes acontecidos em nosso tempo. Vocês se lembram da miserável queda do velho Heron, que aconteceu a poucos dias debaixo de nosso olhos: de que maneira, pela ilusão do diabo, ele se atirou do alto de sua prática virtuosa para as goelas da morte. Nós nos lembramos, com efeito, que ele passou cinqüenta anos no deserto próximo daqui, vivendo numa grande austeridade e numa severa temperança, buscando e procurando mais do que todos os lugares mais desertos e solitários. E depois de tantas penas e lutas, tornado joguete do diabo, ele se deixou escorregar para o abismo e lançou num luto inconsolável todos os Padres e irmãos deste deserto. Ele não teria sofrido isto se tivesse observado a virtude do discernimento, ele que aprendera a não se fiar no seu próprio julgamento, mas no conselho dos Padres e dos irmãos. Pois foi seguindo seu próprio julgamento que ele prolongou seu jejum e seu isolamento até durante os festejos da santa Páscoa, não aceitando encontrar os Padres e os irmãos na igreja para comer com eles, pois seria constrangido a tomar sua parcela de legumes ou de algum outro alimento apresentado à mesa e assim pareceria ter renunciado a seu propósito e à sua regra. Por longo tempo separado dos demais por sua própria vontade, ele recebeu o anjo de Satanás e o venerou como se fosse um anjo de luz[95]. Este lhe ordenou que se atirasse no meio da noite dentro de um poço profundo para que soubesse pela própria experiência que ele daí por diante estava protegido de todos os perigos por sua grande virtude e seu perseverante trabalho por Deus. Não discernindo mais em seu pensamento o inspirador deste desígnio, com o espírito entenebrecido, ele se atirou em plena noite no poço. Pouco depois os irmãos se deram conta do acontecido e resgataram-no com muito trabalho, já semimorto. Dois dias depois ele expirou, deixando os irmãos e o abade Paphnúcio num luto inconsolável. Este, movido por sua grande bondade e lembrando-se dos numerosos trabalhos e de tantos anos que o ancião passara no deserto, não o separou da lembrança e da oferenda que fazemos para todos os defuntos, a fim de que ele não fosse contado entre os suicidas.
[2,6] E que dizer destes dois irmãos que habitavam para além do deserto de Tebaida, lá aonde o bem-aventurado Antônio havia residido, e que, levados pela falta de discernimento, decidiram-se a marchar para o interior do deserto, imenso e estéril, sem receber alimento dos homens, mas contentando-se apenas com aquilo que o Senhor lhes fornecesse milagrosamente? Perdidos no deserto e morrendo de fome, eles foram vistos de longe pelos Maziques. Este povo é o mais selvagem e cruel de todos quantos existem. Mas mudando, pela providência divina, sua selvageria e crueldade em benevolência, eles foram ao encontro dos irmãos com pães. Um deles, inspirado pelo discernimento, recebeu os pães com alegria e reconhecimento, dizendo para si mesmo que se homens tão cruéis e selvagens, que tinham prazer em derramar sangue, foram movidos pela compaixão diante de seu esgotamento e lhes ministraram alimento, isto só poderia ser por impulsão divina. Mas o outro, recusando o alimento oferecido por homens e permanecendo provado de discernimento, morreu de fome. Todos os dois, de início, haviam tomado uma decisão errônea, partindo de uma opinião irracional e funesta. Entretanto o primeiro, lembrando-se do discernimento, fez bem em renunciar ao seu propósito temerário e imprudente. O segundo, ao contrário, obstinado em sua tola presunção e em sua falta de discernimento, entregou-se à morte da qual Deus tentara desviá-lo.
[2,7] Que dizer ainda deste outro, que não nomearei porque vive ainda? Ele acolheu por inúmeras vezes o demônio como se fosse um anjo, recebendo dele revelações e vendo brilhar continuamente em sua cela a luz de uma lâmpada. Finalmente, ele recebeu do anjo a ordem de imolar a Deus em sacrifício seu filho que habitava com ele no mesmo mosteiro, para compartilhar do mérito de Abraão. Esta sugestão o iludiu de tal maneira que ele teria matado o próprio filho se este, vendo-o afiar seu cutelo de forma inusitada e preparar as cordas com as quais iria amarrá-lo como vítima, não tivesse assegurado sua salvação pela fuga.
[2,8] Para terminar contarei ainda a ilusão daquele monge da Mesopotâmia que praticava uma extrema temperança, recluso por anos a fio em sua cela, e que, finalmente, enganado por revelações e sonhos diabólicos que depois de anos de trabalho e virtudes que o haviam elevado acima de todos os monges da região, converteu-se ao judaísmo e se fez circuncidar. Para enganá-lo, o diabo lhe mostrou em diversas ocasiões verdadeiras visões, a fim de torná-lo mais disposto a crer nas falsidades que ele lhe iria apresentar. Ele lhe mostrou então, numa noite, de um lado o povo cristão com os apóstolos e os mártires como tenebrosos e cheios de vergonha, mergulhados na tristeza e no luto; e de outro lado o povo judeu, com Moisés e os profetas, irradiando uma luz deslumbrante e vivendo na alegria e na felicidade. O sedutor lhe propôs, caso quisesse partilhar da alegria e da beatitude do povo judeu, que se fizesse circuncidar. E assim iludido, o monge se dez circuncidar. É evidente que, de todos estes monges, nenhum teria sucumbido tão triste e miseravelmente à ilusão, se possuíssem o carisma do discernimento.
[2,9] Neste momento, Germano disse: “Tanto os exemplo recentes como as sentenças dos antigos Padres mostram suficientemente que o discernimento é a fonte, a raiz, a cabeça e a ligação de todas as virtudes. Mas como podemos adquiri-la, é o que queremos saber: como reconhecer o verdadeiro discernimento que vem de Deus daquele que é falso, enganador e diabólico?”
[2,10] Então o abade Moisés respondeu: “O verdadeiro discernimento só é dado, ao preço de uma verdadeira humildade, a quem revela aos Padres não apenas suas ações, mas também seus pensamentos, e que jamais confia em seu próprio senso, mas segue em tudo as palavras dos antigos, só considerando como bom o que foi aprovado por eles. Esta prática não só permite ao monge permanecer sem prejuízo no caminho reto através do verdadeiro discernimento, mas o protege ao abrigo de todas as armadilhas do diabo. De fato, é impossível a alguém que regrou sua vida sobre os conselhos e a opinião dos que o antecederam, cair na ilusão dos demônios. Pois mesmo antes de obter o carisma do discernimento, o fato de manifestar e confessar aos Padres os maus pensamentos, faz com que estes se consumam e percam toda a força. Assim como uma serpente que é levada das profundezas de seu antro tenebroso até a luz apressa-se em fugir e desaparecer, também os pensamentos perversos, postos à luz pelo excelente reconhecimento da confissão, apressam-se em se afastar do homem. A fim de que vocês aprendam mais facilmente esta virtude por meio de um exemplo, eu lhes contarei um fato que o próprio abade Serapião contava àqueles que o vinham ver, para colocá-los em guarda.”
[2,11] Eis o que ele dizia: Quando eu era jovem, eu morava com meu abade. Quando levantávamos da mesa após o repasto, por ação do demônio, eu roubava um pão para comê-lo depois, sem que o abade soubesse. Tendo feito isto por muito tempo, chegou um momento em que eu não mais dominava esta paixão; minha consciência me condenava, mas eu tinha vergonha de contar ao ancião. Por uma disposição da bondade de Deus, aconteceu de alguns irmãos virem ver o ancião para sua edificação e eles o interrogaram sobre seus pensamentos. O ancião lhes respondeu: Nada prejudica mais os monges, nada alegra mais os demônios, do que esconder os pensamentos dos pais espirituais. E ele lhes falou da temperança. Ao ouvir estas palavras, eu caí em mim e pensei que Deus havia revelado minhas faltas ao ancião; movido pela compunção, comecei a chorar e tirei da algibeira o pão que havia roubado conforme meu mau hábito. Atirando-me por terra, pedi perdão aos que me rodeavam e solicitei suas orações para não cair novamente no futuro. Então o ancião disse: “Sem que eu tivesse dito uma só palavra, sua confissão o libertou, e você estrangulou este demônio que o feria graças ao seu silêncio ao revelar os segredos de seu coração. Até o presente, você o fizera seu mestre, por não contrapor-se a ele nem denunciá-lo; agora ele não terá mais lugar em você, pois você o expulsou do seu coração em pleno dia.” Mal ele acabara de falar e a potência demoníaca apareceu como uma lâmpada de fogo saindo de meu peito e enchendo o ambiente com um odor infecto, de tal modo que os presentes acharam que o que queimava era uma porção de enxofre.
Então o ancião retomou a palavra: “Agora o Senhor demonstrou com este sinal a verdade das minhas palavras e da sua libertação”. Foi assim que a confissão expulsou de mim o vício da gulodice e esta ação diabólica, a tal ponto que nunca mais eu tive complacência para com este desejo.
Dessas palavras do abade Serapião, aprendemos que não iremos obter o carisma do discernimento senão fiando-nos não nos critérios de nosso próprio pensamento, mas no ensinamento e no exemplo dos Padres. Pois não existe caminho mais fácil para o diabo precipitar o monge no abismo do que persuadindo-o a rejeitar as lições dos Padres e a confiar em seu próprio julgamento e em sua vontade própria. Se considerarmos o exemplo das artes e das ciências humanas, vemos realmente que é impossível adquiri-las por nós mesmos, utilizando-nos apenas de nossas mãos, olhos e ouvidos: temos necessidade de um mestre e de uma regra. Que loucura, então, imaginar que não precisamos de mestre para a prender a arte espiritual, que é a mais difícil de todas! Ela é, com efeito, invisível, escondida e percebida apenas pela pureza do coração, e nesta arte o fracasso não conduz apenas a um prejuízo temporário, mas à perda da alma e à morte eterna.
[2,12] “Parece-me, disse Germano, que habitualmente, uma causa da vergonha e um pretexto a uma piedade nociva vêm do fato de que muitas vezes certos Padres que ouvem os pensamentos dos irmãos não apenas não os curam como ainda os condenam e os levam ao desespero, fato que aconteceu na Síria, como todos sabemos. Um irmão foi revelar seus pensamentos a um ancião de lá com toda a simplicidade e verdade, revelando sem falsa vergonha os segredos de seu coração; o ancião, ao ouvi-lo, começou a se indignar e a levantar-se contra ele, repreendendo-o por ter tido tais maus pensamentos, a tal ponto que o irmão, tendo ouvido tudo, deixou de manifestar seus pensamentos aos anciãos.”
[2,13] O abade Moisés respondeu então: “É bom, como eu disse, não esconder os pensamentos dos Padres, mas não a qualquer um. É preciso revelá-los a anciãos espirituais que tenham discernimento, não àqueles cujos cabelos embranqueceram com o tempo. Com efeito, muitos, iludidos pela idade e revelando seus pensamentos, caíram no desespero por causa da inexperiência dos que os ouviram.”
Havia, com efeito, um irmão muito fervoroso que era violentamente atormentado pelo demônio da prostituição. Ele foi procurar um ancião e lhe revelou seus pensamentos. Este, que era inexperiente, indignou-se ouvindo-o e o tratou como um miserável e indigno do hábito monástico por ter tido tais pensamentos. Ao ouvir estas coisas, o irmão caiu em desespero, e, abandonando sua cela, retornou ao mundo. Mas, pela providência divina, o abade Apolo, o mais experiente dos anciãos, o encontrou e, vendo-o perturbado e abatido, perguntou-lhe: “Meu filho, qual é a causa de tamanha tristeza?” Primeiro o irmão nada respondeu, tal era seu desencorajamento. Longamente instado pelo ancião, ele acabou por dizer o que era: “Certos pensamentos me atormentavam freqüentemente e eu fui confessá-los a tal ancião, e pelo que ele me disse, não tenho mais esperança de salvação. Desencorajado, preferi voltar para o mundo.” Ao ouvir isto, a padre Apolo o consolou e animou, dizendo: “Não fique transtornado, meu filho, nem perca a esperança. Pois até eu, com minha idade e meus cabelos grisalhos, continuo muito atormentado por esses pensamentos. Não se inquiete com esta febre, não será tanto o esforço humano que irá curá-la, mas a bondade de Deus. Dê-me apenas um dia e retorne para sua cela.” E assim fez o irmão.
Depois de deixá-lo, o abade Apolo foi até a cela do ancião a quem o irmão havia feito sua confissão e, ficando do lado de fora, pediu com lágrimas a Deus: “Senhor que envia as tentações para o benefício de cada um, faça passar o combate daquele irmão para este velho, para que ele aprenda com a experiência, em sua velhice, aquilo que ele não aprendeu em tantos anos de vida: a ser compassivo com aqueles que têm contra quê lutar.”
Mal ele terminara sua prece e viu um etíope hediondo perto da cela, lançando raios contra o velho. Tendo sido atingido, logo ele começou a caminhar apressadamente em todas as direções como um homem ébrio. Incapaz de permanecer no lugar, ele deixou sua cela e dirigiu-se para o mundo pelo mesmo caminho do irmão. Vendo o que acontecia, o abade Apolo foi ao seu encontro e lhe disse: “Aonde vai você assim? Qual é a causa do transtorno que o tomou?” Dando-se conta de que seu estado era conhecido pelo santo, ele se encheu de vergonha e não dizia nada. Então o abade Apolo lhe disse: “Volte para sua cela e daqui em diante reconheça a sua fraqueza; reconheça que se até o presente você foi ignorado ou desdenhado pelo diabo, é porque você não era digno de lutar contra ele. Mais do que isto: você não conseguiu sustentar sequer um dia seu assalto. Isto aconteceu porque, ao receber um jovem irmão atacado pelo inimigo comum, ao invés de alentá-lo para o combate, você o atirou ao desespero sem levar em conta a consideração do Sábio: “Liberte os condenados à morte e resgate os que são levados ao suplício[96]”. Você tampouco se lembrou das palavras do nosso Salvador, de “não esmagar a cana quebrada, nem apagar o pavio que ainda fumega[97]”. Pois ninguém é capaz de sustentar os ataques nem extinguir os ardores da natureza, se a graça de Deus não o proteger da fraqueza humana. Convencidos portanto da providência salutar que vela por nós, unamos nossas orações a Deus a fim de que ele o libere do castigo que lhe foi enviado. Pois “aquele que aflige é o mesmo que restaura, ele fere mas suas mãos curam[98]”; “ele rebaixa e ele ergue; ele faz morrer e faz viver; ele conduz aos infernos e de lá resgata[99]”. Ao pronunciar estas palavras, ele imediatamente liberou o ancião da combate que deveria sofrer, e o exortou a pedir a Deus uma língua que soubesse dizer a palavra certa no momento oportuno.
De tudo isto, aprendemos que não existe outro caminho de salvação que o de revelar seus pensamentos aos Padres que têm mais discernimento e deles receber a regra da virtude, antes de seguir seu próprio julgamento e seu próprio senso. E se acontecer de, por acaso, cairmos nas mãos de um ancião demasiado simples e sem grande experiência, esta não é uma razão para nos abstermos de revelar os pensamentos aos mais experientes dentre os Padres e de desprezar a tradição dos antigos. Pois não foi de sua própria iniciativa, mas foi de Deus e das santas Escrituras que eles transmitiram aos que vieram depois deles a prática de interrogar os antecessores.
[2,14] Podemos aprender isto a partir de muitas outras passagens da Escritura inspirada, em especial da história de Samuel[100]. Consagrado a Deus por sua mãe desde a sua infância e admitido a conversar com Deus, Samuel jamais confiava em seu próprio julgamento, mas, chamado por Deus uma e duas vezes, ele correu ao velho Eli e com as instruções deste pode responder a Deus adequadamente. Aquele a quem Deus considerara digno de ser chamado por ele, Deus também quis que fosse dirigido pelo exemplo e as ordens do ancião, a fim de que fosse conduzido à humildade.
[2,15] E Cristo, que havia chamado Paulo e falado com ele, poderia ter-lhe aberto os olhos logo e lhe mostrado o caminho da salvação. Mas ele o enviou a Ananias e lhe ordenou expressamente que aprendesse com ele o caminho da verdade: “Levante-se, entre na cidade e lá lhe será dito o que fazer[101]”. Assim ele nos ensina a nos deixarmos guiar pelos que nos antecederam, para que não sejam mal interpretadas as coisas ditas de Paulo e para que elas não se tornem um exemplo de presunção para seus descendentes, cada qual pretendendo ser conduzido diretamente à verdade por Deus, quase como são Paulo, e não por intermédio dos Padres. Vemos isto claramente, não só pelo que foi dito, mas pelo que o próprio Apóstolo escreve: “voltei a Jerusalém (...) Expus a eles o Evangelho que anuncio aos pagãos, mas o expus reservadamente às pessoas mais notáveis, para não me arriscar a correr ou ter corrido em vão[102]”. E no entanto a graça do Espírito Santo caminhava ao seu lado, pelo poder dos milagres que ele fazia.
Quem será assim tão orgulhoso e tão pretensioso para ousar se fiar em seu próprio senso e julgamento, quando este vaso de eleição atesta ter tido necessidade do conselho daqueles que eram apóstolos antes dele? Fica claramente provado com isso que o Senhor não revela a ninguém o caminho da perfeição se não for por meio dos Padres espirituais que marcham sobre a via. É como foi dito pelo Profeta: “Interrogue seu pai, e ele lhe ensinará; aos anciãos, e eles lhe dirão.[103]”
[2,16] Esforcemo-nos, portanto, com todas as nossas forças e todo nosso ardor para adquirirmos para nós o carisma do discernimento, que poderá nos guardar imunes aos dois excessos opostos. De fato, como dizem os Padres, tanto num como noutro sentido, os excessos são prejudiciais: tanto o jejum excessivo como a saciedade do ventre; as vigílias imoderadas e o exagero no sono, e assim todos os demais excessos. Nós conhecemos alguns que não foram vencidos pela gula, mas que tombaram em decorrência de jejuns exagerados, tendo então sido arrastados à mesma gula devido à fraqueza causada pelo jejum excessivo.
[2,17] Eu recordo também, de minha parte, de ter praticado tamanha abstinência que sequer me lembrava mais do desejo de comer, e depois de ter passado dois ou três dias sem comer, nem ao menos pensar em comida, a menos que algum outro monge me trouxesse. Aconteceu-me ainda que, por instigação do diabo, o sono se foi dos meus olhos, a ponto de que por noites a fio tive que suplicar ao Senhor que me concedesse um pouco de sono. Assim foi que eu me expus a um perigo muito maior pela privação excessiva de alimento e sono do que pela gula e o excesso de sono.
Com estes ensinamentos e muitos outros, o abade Moisés nos encheu de alegria, de modo que pudemos glorificar ao Senhor que deu tamanha sabedoria àqueles que temem. A ele a honra e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.
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Notas aos dois textos de Cassiano:
[ 5 ] Cf . Provérbios IV, 23.
[1] Cf. Instituições cenobíticas, 5-12; P.G. 28, 872-905.
[2] Cf. Provérbios XXIV, 15.
[3] Ezequiel XVI, 49.
[4] Romanos XIII, 14.
[6] Mateus XV, 19.
[7] Mateus XXIII, 26.
[8] Cf. 2 Timóteo II, 5; IV, 7.
[9] Filipenses II,I 20.
[10] Mateus V, 28.
[11] Provérbios IV, 23.
[12] Gênesis III, 15.
[13] Salmo C, 8.
[14] Cf. Mateus XV, 19.
[15] Cf. Salmo CXXXVI, 9.
[16] Esta citação não se encontra tal e qual nas obras de são Basílio. Encontramos algo próximo (“Eu escapei ao ato da fornicação, mas manchei minha virgindade nos pensamentos de meu coração”) na Carta XVII, 4; porém, esta carta parece não ser de são Basílio, mas de são Nilo.
[17] Hebreus XII, 14.
[18] Hebreus XII, 16.
[19] Cf. Daniel III, 19.49 ss.
[20] Cf. 1 Timóteo VI, 10.
[21] Cf. Filipenses III, 19.
[22] 1 Timóteo VI, 10.
[23] Colossenses III, 5.
[24] Cf. 2 Reis V, 27.
[25] Cf. Mateus XXVII, 5.
[26] Cf. Atos V, 5 e 10.
[27] Deuteronômio XX, 8.
[28] Atos XX, 35.
[29] Mateus XIX, 21.
[30] 2 Coríntios XI, 27.
[31] 2 Timóteo IV, 7.
[32] Cf. Atos XXII, 25-28.
[33] Atos IV, 34-35.
[34] Romanos XV, 25-27.
[35] 2 Coríntios XI, 9.
[36] Filipenses IV, 15-16.
[37] Esta sentença, com a passagem das Instituições que a contém, é apresentada nas Sentenças dos Padres do deserto, Cassiano 7.
[38] Cf. Atos V, 5 ss.
[39] Cf. 2 Reis V, 27.
[40] Cf. Mateus XXVII, 5.
[41] Lucas XII, 20.
[42] Salmo VI, 8.
[43] Eclesiastes VII, 9.
[44] Tiago I, 20.
[45] Provérbios XI, 25.
[46] Efésios IV, 31.
[47] Lucas IV, 23.
[48] Mateus VII, 3-5.
[49] Salmo IV, 5.
[50] Salmo IV, 5.
[51] Efésios IV, 26.
[52] Malaquias IV, 2.
[53] Cf. Mateus V, 23-24.
[54] Cf. 1 Tessalonicenses V. 17.
[55] Cf. 1 Timóteo II, 8.
[56] Levítico XIX, 17.
[57] Provérbios XII, 28.
[58] Cf. 1 João III, 15.
[59] Isaías LXVI, 18.
[60] Romanos II, 15-16.
[61] Mateus V, 22.
[62] Jó V, 23.
[63] Cf. Gênesis IX, 4-16.
[64] 2 Coríntios VII, 10.
[65] Existe aqui uma lacuna no texto da P.G. 28, 897D.
[66] Gálatas V, 22-23.
[67] 2 Tessalonicenses III, 6-12.
[68] Aqui retoma o texto após a lacuna em P.G. 28,897D.
[69] Salmo LII, 5.
[70] Isaías XIV, 13.
[71] Salmo LI, 3.
[72] Salmo LI, 4-9.
[73] 1 Coríntios XV, 10.
[74] João XV, 5.
[75] Salmo CXXVI, 1.
[76] Romanos IX, 16.
[77] Tiago I, 17.
[78] 1 Coríntios IV, 7.
[79] Cf. Lucas XXIII, 43.
[80] Filipenses III, 13-14.
[81] 1 Coríntios XIII, 3.
[82] 1 Coríntios XIII, 4-5.
[83] Jó, XXXVI, 27.
[84] 1 Coríntios XII, 8-9.
[85] 1 Coríntios XII, 10.
[86] Mateus XXV, 34-35.
[87] Mateus VI, 22-23.
[88] Cf. 1 Samuel XV, 17-23.
[89] Provérbios XI, 14.
[90] Cf. Salmo CIII, 15.
[91] Provérbios XXXI, 3.
[92] Provérbios XXV, 28.
[93] Provérbios XXIV, 3-4.
[94] Hebreus V, 14.
[95] Cf. 2 Coríntios XI, 14.
[96] Provérbios XXIV, 11.
[97] Mateus XII, 20.
[98] Isaías l, 4.
[99] 1 Samuel II, 6-7.
[100] Cf. 1 Samuel, 3.
[101] Atos IX, 6.
[102] Gálatas II, 2.
[103] Deuteronômio XXXII, 7
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